26 novembro, 2008

A Valsa

Tu, ontem,

Na dança

Que cansa,

Voavas

Co'as faces

Em rosas

Formosas

De vivo,

Lascivo

Carmim;

Na valsa

Tão falsa,

Corrias,

Fugias,

Ardente,

Contente,

Tranqüila,

Serena,

Sem pena

De mim!



Quem dera

Que sintas

As dores

De amores

Que louco

Senti!

Quem dera

Que sintas!...

— Não negues,

Não mintas...

— Eu vi!...



Valsavas:

— Teus belos

Cabelos,

Já soltos,

Revoltos,

Saltavam,

Voavam,

Brincavam

No colo

Que é meu;

E os olhos

Escuros

Tão puros,

Os olhos

Perjuros

Volvias,

Tremias,

Sorrias,

P'ra outro

Não eu!



Quem dera

Que sintas

As dores

De amores

Que louco

Senti!

Quem dera

Que sintas!...

— Não negues,

Não mintas...

— Eu vi!...



Meu Deus!

Eras bela

Donzela,

Valsando,

Sorrindo,

Fugindo,

Qual silfo

Risonho

Que em sonho

Nos vem!

Mas esse

Sorriso

Tão liso

Que tinhas

Nos lábios

De rosa,

Formosa,

Tu davas,

Mandavas

A quem ?!



Quem dera

Que sintas

As dores

De arnores

Que louco

Senti!

Quem dera

Que sintas!...

— Não negues,

Não mintas,..

— Eu vi!...



Calado,

Sózinho,

Mesquinho,

Em zelos

Ardendo,

Eu vi-te

Correndo

Tão falsa

Na valsa

Veloz!

Eu triste

Vi tudo!



Mas mudo

Não tive

Nas galas

Das salas,

Nem falas,

Nem cantos,

Nem prantos,

Nem voz!



Quem dera

Que sintas

As dores

De amores

Que louco

Senti!



Quem dera

Que sintas!...

— Não negues

Não mintas...

— Eu vi!





Na valsa

Cansaste;

Ficaste

Prostrada,

Turbada!

Pensavas,

Cismavas,

E estavas

Tão pálida

Então;

Qual pálida

Rosa

Mimosa

No vale

Do vento

Cruento

Batida,

Caída

Sem vida.

No chão!



Quem dera

Que sintas

As dores

De amores

Que louco

Senti!

Quem dera

Que sintas!...

— Não negues,

Não mintas...

Eu vi!

11 novembro, 2008

Conto-me

Me rasgo em verbos líquidos, esbanjo pensamentos que me fogem por entre os dedos
Explode em mim uma volúpia de palavras que um dia nunca me couberam
Em novos laços com o mundo, passo a conhecer as novas cores
Um arco-iris pintado de um outro jeito
Descobri na carne a compaixão Divina
Entendi no vazio de miha alma a quem pertence toda essa fúria
Fiz de um acordar rotineiro, uma nova janela
Me encontro em forças jamais exploradas em toda minha história
Uma inquietude aflora meus anseios
Sinto meus braços curtos, minhas pernas frágeis
Diante de tanta tarefa que me espera
Quero fazer diferença neste mundo tão igual para os que tem
Tão diferente para os que apenas estão
Rasgo este casulo de hipocrisia de uma verdade revogada
Com todas as letras e de um prazo tão findo
Mesmo com a alma arrebantada de um coração que ama sem ser amado
Construo-me de fé
E me refaço de novos conceitos
Novo coração, nova vida.

06 novembro, 2008

Ei!

Não se acostume com o que não o faz feliz, revolte-se quando julgar necessário.Alague seu coração de esperanças, mas não deixe que ele se afogue nelas.Se achar que precisa voltar, volte!Se perceber que precisa seguir, siga!Se estiver tudo errado, comece novamente.Se estiver tudo certo, continue.Se sentir saudades, mate-a.Se perder um amor, não se perca!Se o achar, segure-o!
Fernando Pessoa
"Há entre mim e o real um véuÀ própria concepção impenetrável.Não me concebo amando, combatendo,Vivendo com os outros. Há, em mim,Uma impossibilidade de existir,De que [abdiquei] vivendo.